Nota da Rede Internacional Teatro e Sociedade contra a criminalização da luta popular, em defesa da democracia

A Rede Internacional Teatro e Sociedade formada por coletivos de teatro, grupos de pesquisa e movimentos sociais do Brasil, da Argentina e do Uruguai vem a público manifestar repúdio ao conjunto de agressões à população brasileira ensejados pelo sistema judiciário, pelo sistema repressivo policial e militar, pelo sistema midiático empresarial e pelas corporações de políticos que atuam nos parlamentos defendendo interesses privados de grandes corporações.

Desde o momento em que o governo ilegítimo, usurpador do voto de 54 milhões de brasileiras e brasileiros, tomou o poder foram desfechadas simultaneamente uma série de ataques aos direitos trabalhistas, aos marcos legais que garantem exclusividade da Petrobras na exploração do Pré-Sal, foram propostas reformas regressivas da previdência e do ensino médio, foi encaminhada a PEC 241 na Câmara dos deputados e PEC 55 no Senado de congelamento por duas décadas das metas de investimento dos gastos públicos. Compreendemos o caráter tático dessa ação, que visa dificultar a reação organizada das forças democráticas e procura rebaixar o horizonte democrático impondo restrições econômicas e políticas às possibilidades de reversão da dinâmica estabelecida pelo poder do voto popular, nas eleições de 2018.

As medidas repressivas do sistema judiciário, das forças policiais e militares tem se ampliado na mesma proporção em que se ampliam as formas de luta popular e resistência, com as milhares de escolas ocupadas pela juventude brasileira, pelas centenas de campi de institutos e universidades ocupados. A justiça reage alegando que existem casos e juízes que podem atuar em regime de exceção, como Sérgio Moro e a Operação Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal (STF) restringe os direitos de greve dos servidores públicos autorizando o corte de ponto.  Exército e Polícia fazem operações ilegais contra manifestantes levando jovens à prisão sem qualquer prova crime. Militantes de movimentos sociais são presos sem prova, criminalizados pela atitude de militarem em organizações que lutam contra as estruturas arcaicas de perpetuação do poder da elite brasileira.

A corrupção do varejo, da ordem de milhões é explorada de forma seletiva pela mídia, enquanto a corrupção de atacado, da ordem de bilhões destinados aos rentistas que lucram com a ilegítima dívida pública é invisibilizada, é desconhecida da maioria da população brasileira.

No dia 04 de novembro de 2016 a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) foi invadida pela Polícias Civil sem mandato judicial, com disparos de tiros letais como ameaça aos estudantes e à equipe da escola. Uma instituição de ressonância internacional, com parcerias com mais de quarenta universidades públicas, que recebe estudantes dos cinco continentes, tratada pela polícia como um espaço que se pode invadir de forma arbitrária, com dispensa dos mínimos rituais jurídicos que garantem aos cidadãos o direito de defesa perante os excessos do Estado.

Há cinquenta e dois anos do golpe de 1964 estamos entrando em novo regime de Estado de Exceção e, novamente, as forças populares organizadas são as primeiras vítimas, como estratégia de desmonte da resistência organizada contra a regressão da democracia.

A Rede Internacional Teatro e Sociedade repudia a criminalização aos movimentos sociais e se coloca ao lado de todas as forças que lutam contra os golpes midiáticos-jurídicos-parlamentares-militares que ameaçam a construção da democracia na América Latina.

 

Brava Companhia (SP) / Centro do Teatro do Oprimido (RJ) / Círculo de Giz Brechtiano (UFF/RJ) / Coletivo Dolores Mecatrônica Boca Aberta (SP) / Coletivo Fuzuê (UFSJ/MG) / Coletivo Terra em Cena (UnB/DF) / Companhia do Latão (SP) / Companhia Estudo de Cena (SP) / Escuela de Teatro Político (Buenos Aires/Argentina) / Grupo Crítica Literária Materialista (UEM/PR) / Grupo de Pesquisa Modos de Produção e Antagonismos Sociais (UnB/DF) / Grupo de Pesquisa em Dramaturgia e Crítica Teatral (UnB/DF) / Grupo Rizoma del Teatro del Oprimido (Buenos Aires/Argentina) / Grupo de Teatro do Oprimido Montevideo (GTO Montevideo/Uruguai) / Grupo de Pesquisa em História, Política e Cena (UFSJ/UFOP/UFMG/UNICAMP) / Instituto Augusto Boal (RJ) / Laboratório de Investigação Teatro e Sociedade – LITS (USP/SP) / Levante Popular da Juventude / Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

07/11/16

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