Quem somos

A crescente parceria entre movimentos sociais e universidades, em processos formativos voltados para a classe trabalhadora, do campo e da cidade, estabelece indagações para a dimensão da pesquisa acadêmica: considerando os dois pólos da relação, quem deve pautar as demandas de pesquisa? A universidade deve estender para os movimentos as linhas de pesquisa forjadas internamente, numa espécie de ação inclusiva no campo da produção intelectual, ou são os próprios movimentos que devem pautar os temas a serem pesquisados pela universidade, mediante o crivo das demandas objetivas provenientes das lutas em andamento?

Partindo dessas indagações, o grupo de pesquisa Modos de Produção e Antagonismos Sociais (MPAS), criado em 2011 e sediado na Faculdade UnB Planaltina (FUP), reúne pesquisadores de diversas áreas de formação com o intuito de fortalecer o vínculo orgânico entre teoria e prática, conhecimento acumulado e demandas objetivas da vida social, universidade e movimentos sociais. Seu objetivo é analisar, pela perspectiva marxista, em chave de totalidade, as múltiplas determinações que configuram a concretude da experiência histórica em andamento.

As linhas de pesquisa desenvolvidas pelo grupo são:

1) Agronegócio, Modernização Conservadora e Indústria Cultural
Ementa: Estudo do impacto do ciclo de modernização conservadora da década de 1960, até o momento atual. Análise das conexões entre Revolução Verde, Indústria Cultural e Ditadura Militar. Análise da forma de dominação cruzada entre domínio da terra, discriminação sócio-racial, monopólio dos meios de comunicação e poder político eleitoral. Identificação e crítica dos padrões hegemônicos de representação da realidade em perspectiva histórica, em diversos suportes. Estudo das ações de comunicação e cultura desenvolvidas pelos movimentos da Via Campesina e planejamento e intervenção de métodos em perspectiva contra-hegemônica. Identificação e análise de formas tradicionais de manifestações populares tradicionais, narrativas e hábitos culturais que desapareceram ou estão em processo de extinção em função das mudanças de dinâmica do modo de produção no campo. Estudo das polílicas públicas para agricultura familiar, as políticas culturais, políticas de comunicação, e relação entre programas de aceleração de crescimento (PACs), as políticas sociais e a forma de organização contemporânea da sociedade brasileira.

2) Conexões entre questões agrária, classe, gênero, raça/etnia, ambiental
Ementa: Compreendendo as dimensões simbólicas e materiais geradas pelas distintas dinâmicas produtivas do latifúndio e do campesinato, buscamos articular as questões agrária, racial, de gênero, de classe e ambiental a partir das relações sociais historicamente estabelecidas no campo brasileiro, entendendo esta articulação como determinante para refletir sobre a instituição e manutenção da desigualdade social brasileira e, ao mesmo tempo, sobre as possibilidades populares de superação desta.

3) Cultura Política, Formação, Arte e Educação
Ementa: Análise do processo de constituição da cultura política em diversos momentos históricos da história brasileira e latino-americana. Análise das experiências de formação dos movimentos sociais, sejam elas em parceria ou não com universidades e demais instituições. Análise das articulações entre as esferas da arte, da política, da formação e educação. Análise dos ciclos de modernização conservadora por meio dos intérpretes da formação do Brasil e de obras estéticas (literárias, teatrais e cinematográficas). Estudo das mediações dialéticas entre ordem e desordem, localismo e cosmopolitismo, centro e periferia, particular e universal, não considerando as categorias como dado fixo de interpretação dos dilemas do país, mas situando-as no tempo, e avaliando a permanência de suas pertinências dado o contexto histórico contemporâneo.